quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

O visconde partido ao meio, de Ítalo Calvino

A literatura me proporciona diversos prazeres: conhecer outros lugares, conviver com personagens que poderiam ser meus amigos ou meus amores de verão, esquecer das angústias reais e, refletir sobre quem eu sou e o quanto isso está distante (ou não) de quem eu quero ser. Das inúmeras possibilidades, “O visconde partido ao meio” foi o tipo de leitura que me divertiu, mas ao mesmo tempo, me fez questionar: se fosse comigo, como seriam as minhas duas metades? O que eu faria?

Medardo é o visconde de Terralba que, durante a guerra dos cristãos contra os turcos é atingido por uma bala de canhão que o divide ao meio. Os companheiros cristãos encontram apenas uma metade, que é cuidada pelos médicos. Quando a parte direita de Medardo volta para Terralba, todos ficam horrorizados e sentem pena da má sorte do Visconde. Este fica recluso por alguns dias, até que começa a fazer maldades sem olhar a quem - ninguém escapa de suas artimanhas, nem os moradores do castelo, os habitantes do vilarejo ou mesmo seu pai. 

Tempos depois, quando o povo não imaginava que a situação poderia piorar, retorna a outra metade de Medardo. Diferente do Mesquinho, como ficou conhecida a metade má, o recém-chegado pratica boas ações e anseia por convencer a todos de fazer o bem. Apesar de as duas metades não se encontrarem, simplesmente porque não fazem questão, um tem consciência da existência do outro. Ambos, no entanto, decidem se apaixonar pela mesma mulher: Pamela, uma pastora do vilarejo, que não se interessa nem pelas maldades de Mesquinho, nem pelo moralismo excessivo de Bom, como ficou conhecida a metade esquerda que havia retornado.

O encontro finalmente acontece após o casamento de Bom e Pamela, quando as duas metades decidem duelar para decidir quem ficará com a moça. Isso acontece somente no último capítulo, para mim, o mais tenso de todos, mas você precisa ler para saber como essa estória vai terminar.


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