quinta-feira, 8 de agosto de 2019

A vida não é justa, de Andréa Pachá

Publicado em 2012, “A vida não é justa”, é um livro composto por crônicas escritas por Andréa Pachá, quando ela exercia o ofício de juíza titular da Vara da Família. Ao longo dos seus vinte anos de atuação, a autora presenciou o fim do amor diversas vezes, por meio daqueles que procuravam nas leis a solução de seus conflitos relacionais.

Cada crônica é a revelação de experiências humanas – e dos laços que nos unem. Quando esses laços se desfazem, quem é o responsável? Quem leva a culpa? Por que é que não percebemos o fim com mais facilidade? Por que o fim é tão doloroso em alguns casos?

Na primeira crônica, a separação de Aline e André, em decorrência do afastamento causado pelos longos anos de convivência, nos é apresentada. A frustração de ambos é colocada no tribunal, assim como algumas histórias que ambos decidiram compartilhar com a juíza. Por fim, o fim: a individualização da dor, estampada nas faces de Aline e André, fazia com que eu compreendesse cada processo como uma tragédia única. (Página 15)

Mais adiante, quase nas últimas páginas, conhecemos a história de uma menina que aos dez anos de idade, estava prestes a conhecer o pai. Procurada por seu Arlindo, avô da criança, a juíza aguarda Emerson, pai da menina. O rapaz, no entanto, não quer estabelecer nenhum vínculo com a filha. Desesperado, diz à doutora que fará tudo o que a lei mandar, mas que não quer, em hipótese alguma, conhecer a criança.

Enquanto isso, do lado de fora da sala, a menina aguarda o pai. Emerson está tão descontrolado que a juíza o convida para ir ao gabinete dela. Lá, ela consegue convencê-lo a conhecer a menina: você vai me fazer um favor. Vou chamar ela aqui no gabinete, sem mais ninguém por perto. Posso ficar, se você preferir. Vamos, juntos, explicar para ela que tudo isso é muito novo, que você está surpreso, mas que o tempo vai ajudar. Depois, você pode ir embora. (Página 209) Neste dia, a autora afirma: nunca me senti tão triste e tão impotente. (Página 210)

E eu, leitora, conforme passava as páginas pelo livro, conhecendo cada crônica, cada história única de seus personagens, me peguei várias vezes pensando sobre as emoções humanas. O fim do amor é diferente para cada um, assim como a dor que o acompanha. No entanto, o que todas as histórias têm em comum, em maior ou menor proporção, é a insistente crença na durabilidade dos sentimentos – e por mais que seja uma ilusão, ao meu ver, é o que nos move, o que nos faz seguir em frente, mesmo com todas as dificuldades impostas pela vida.

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