domingo, 20 de janeiro de 2019

Estação Carandiru, de Drauzio Varella


No ano de 1989, o doutor Drauzio Varella iniciou um trabalho voluntário de prevenção à AIDS dentro do maior presídio do país, a Casa de Detenção de São Paulo, localizada no Carandiru e que, na época, abrigrava mais de 7200 presos. As vivências do médico e as histórias relatadas pelos homens cerceados de sua liberdade deram origem à obra em questão. Como aponta Varella:

Neste livro, procuro mostrar que a perda da liberdade e a restrição do espaço físico não conduzem à barbárie, ao contrário do que muitos pensam. (Página 10)
Os relatos de Drauzio trazem desde as palestras que organizou no antigo cinema da Casa, o encontro que teve com alguns usuários de cocaína injetável até as narrativas dos presos sobre o seu passado e os motivos que os levaram a perderem sua liberdade. É, também, nos apresentada as dificuldades para exercer medicina na cadeia: 

A burocracia era tanta que as internações e altas da enfermaria eram batidas em 6 cópias, trazidas para assinar sem papel carbono. Muitas vezes, como é característico no serviço público, existia fartura de antibióticos e antivirais caríssimos, enquanto faltava aspirina e remédio para sarna. (Página 90)
Uma leitura importante para entender como é o cotidiano desses homens, as relações que estabelecem entre si e a forma como o sistema penitenciário funciona. Das crônicas registradas, os últimos capítulos são os que mais me prenderam atenção. Neles, Drauzio relatou a versão dos presos sobre o  Massacre do Carandiru (1992), cujo nome dispensa explicações. 

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