terça-feira, 22 de janeiro de 2019

É que eu sambo direitinho, assim bem miudinho, cê não sabe acompanhar


Os passos do samba exigem uma troca constante de peso. Da perna direita para a esquerda. UM, dois, três. UM, dois, três. A alternância pode ser mais rápida ou mais lenta, dependendo apenas da música e dos comandos atentos da professora. Assim, olhando o reflexo no espelho – sempre os olhos, o balanço dos quadris, mas nunca os pés -, é preciso manter a concentração no ritmo. Quando sambo, o único som que ouço é o que vem do aparelho que a professora controla. Às vezes, me esqueço de sorrir, de tão concentrada que estou. Então, quando ela me diz “sorri, Aninha”, eu exibo os meus dentes, solto os meus braços e me imagino novamente no palco. A dança me transformou. Fico pensando em todos os acontecimentos que me levaram à pesquisa de uma escola de ritmos e, depois, à sala dois. Não diria que sou grata, pois preferiria não passar pelos infortúnios e desventuras todas, mas reconheço os benefícios das descobertas que vieram em seguida, enfileiradas e surpreendentes. Hoje eu aprendi o passo da tesoura, bem comum na gafieira. A cada aula, a professora vai incrementando novos passos e eu estou adorando não saber como será a aula seguinte. Quando eu erro o passo ou perco o ritmo, dou risada e improviso. Acho que o samba me ensinou a encarar a vida de uma forma mais leve. Não tenho mais medo de errar, não. Meu único medo é deixar passar um sambinha gostoso por distração. O bom é que o show sempre continua. Olha lá, começou a tocar Cabide.

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