sábado, 29 de dezembro de 2018

Depois a louca sou eu, de Tati Bernardi


Essa é a primeira vez que leio Tati Bernardi. A priori, a capa foi o que chamou a minha atenção - bem como a dos passageiros da linha amarela do metrô de São Paulo. É, talvez, o único livro neon que tenho em minha estante. A capa chamativa, bem viva, guarda dentro de si páginas e páginas de ansiedade depositada, a conta gotas, em cada uma das crônicas. 

A autora inicia o livro apresentando o porquê de ele existir. Logo nas primeiras linhas, nos aproximamos das crises de pânico que a autora vivencia, causadas, muitas vezes, pelo medo de avião.  É como se no chão abrisse uma espécie de ralo e eu começasse a rodopiar antes de sumir no buraco (BERNARDI, 2016, p. 7).

Portanto, se você é uma pessoa ansiosa e que lida constantemente com fobias e crises de pânico, certamente se identificará com as crônicas. Mas se esse não for o seu caso, a leitura também é válida, uma vez que nos leva a ter empatia pela narradora e, assim, compreendermos melhor os seus medos. 

A verdade é que não lembro de existir sem estar passando meio mal, com a pressão meio baixa, hipoglicemia, o coração meio dispardo, tudo meio rodando, a estabilidade do ar sempre demorando a voltar qualquer que fosse o movimento. E muito enjoo (BERNARDI, 2016, p. 36).
Dentre as crônicas, a que eu mais gostei foi O primeiro Rivotril e o resto todo, na qual ela narra com mais detalhes o seu pavor de avião, bem como um relacionamento cujo protagonista do casal foi o medicamento e confere a sentença: sempre achava que ele me fazia muito bem e que eu era muito plena e feliz e calma com ele. Mas eu estava drograda: achei que era amor e era Rivotril (BERNARDI, 2016, p. 43).

De uma forma leve e bem humorada, mergulhamos no universo da autora. Suas crônicas são leves e bem humoradas, o que contribuem para amenizar um assunto tão denso quanto a ansiedade e sua presença em nosso cotidiano. 

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