terça-feira, 5 de junho de 2018

O menino grapiúna, de Jorge Amado


No ano de 1981, Jorge Amado publicou seu livro de memórias, "O menino grapiúna", uma autobiografia de sua infância em Itabuna, no sul da Bahia. Ali nasceu em 1912, filho de João Amado de Faria e Eulália Leal, donos de uma fazenda de cacau. 

Aliás, é importante citar o fruto, que se ligará à infância de Jorge Amado e que será evocado em muitas de suas narrativas. O cacau, naquele tempo, era muito cultivado na região e será motivo de muitas riquezas e adversidades.

Organizado em capítulos curtos, cada página nos convida a conhecer o a meninice de nosso amado escritor. São histórias de seu tio Álvaro, sua relação com as chamadas "mulheres perdidas", sempre tão maternais com ele, a trajetória do vizinho José Nique, que estava sendo perseguido por soldados da polícia militar e a sua derradeira entrada ao internato, que causa-lhe extremo descontentamento - a tal ponto que o menino grapiúna decide fugir de lá.

"Para o menino grapiúna (...) o internato no colégio dos jesuítas foi o encarceramento, a tentativa de domá-lo, de reduzi-lo, de obrigá-lo a pensar pela cabeça dos outros. A intenção do pai era apenas educá-lo no melhor colégio, o de maior renome. Não se dava conta de como violentava o filho." Página 51.

Os tempos de colégio, todavia, não foram completamente inúteis. Ali, Jorge Amado conheceu o padre Luiz Gonzaga Cabral, professor de Língua Portuguesa que ensinou o menino a amar a literatura, que despertou a sensibilidade dos alunos durante as leituras de Os Lusíadas, que foi o primeiro a anunciar o futuro de Amado como escritor. 

Por fim, o livro conta com um posfácio escrito por ninguém menos que Moacyr Scliar. O escritor gaúcho compartilha conosco as suas lembranças de garoto, quando conhecera Jorge Amado. Além disso, há uma breve biografia sobre este - sua infância, seu envolvimento com política e suas obras mais relevantes.

O menino que se tornaria o grande escritor que conhecemos está nas páginas desse livro, tão cheio de memórias encantadoras sobre sua infância. É nesse período em que a sensibilidade, o olhar para as minorias serão formados - valores que o acompanharão no decorrer de toda sua obra literária. 

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