quarta-feira, 20 de junho de 2018

Leitura da semana: Kaschtanka e outras histórias de Tchékhov


Na semana passada, pedi sugestões de autores russos para uma amiga que especializou-se na área. Gentilmente, ela emprestou-me um de seus livros, o Kaschtanka e outras histórias, do médico e maior contista da literatura russa: Tchékhov. Publicado em 2015 pelo selo Boa Companhia, o livro reúne 7 contos, dentre eles, "Vanka", "Brincadeira", "Ninharias da vida" e "Kaschtanka", que deu título à antologia.

Ainda que eu não seja estudiosa no assunto, essa breve leitura mostrou-me a leveza e, ao mesmo tempo, a profundidade com que o autor narra o que é cotidiano, comum, ordinário. Utilizando-se de poucas páginas (o conto mais logo possui 26 páginas), suas histórias prendem a nossa atenção e, mais do que isso, nos sensibilizam. 

Como é possível dizer tanto com tão poucas palavras? Tchékhov, inquestionavelmente, era mestre nessa habilidade.

Quero compartilhar com vocês alguns trechos que marcaram a minha leitura:

"Depois do beijo, veio outro beijo, depois juras, protestos... Felizes momentos! Entretanto, nesta vida terrena não existe nada inteiramente feliz. A felicidade costuma trazer veneno em si mesma, ou é envenenada por algo externo." (Páfina 50, 2015).

"- Como lhe direi? - falou ele e encolheu os ombros. - A mamãe de fato nunca está boa de todo. Pois se ela é mulher, e as mulheres, Nikolai Ilitch, têm sempre alguma coisa que está doendo." (Página 72, 2015).

"Aliocha aninhou-se num canto e, cheio de horror, pôs-se a contar a Sônia como ele fora enganado. Ele tremia, gaguejava, chorava; era a primeira vez na vida que ele se chocara assim, grosseiramente, face a face, com a mentira; antes disso, ele não sabia que neste mundo, além de peras, pasteizinhos e relógios caros, existem ainda muitas outras coisas, que não possuem nome na linguagem infantil." (Página 78, 2015).

Estou encantada, leitores. A Copa do Mundo trouxe-me essa curiosidade pela literatura russa e preciso confessar: conhecer esse universo está sendo, para mim, muito mais animador do que assistir aos jogos.

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