quinta-feira, 10 de agosto de 2017

O tempo

Não sei se algum dia vou me acostumar com a sua partida - mas talvez, como você sempre diz, essa sensação de incompletude nos faz lembrar o quanto amamos um ao outro. O adeus, então, se torna uma consequência do encontro e pensar assim, torna o ato um pouco mais suportável. 

Gosto tanto de estar com você. Nunca fui boa em exatas, apesar do meu pai defender veementemente que sim, mas em física eu era um caso sério. Aquelas fórmulas não faziam sentido nenhum para mim. No entanto, lembro de uma aula que particularmente me interessou muito: a teoria da relatividade. Depois de Einstein, o tempo nunca mais foi visto como linear e constante. Aquilo me impressionou. 

Desde então, passei a observar mais a relação que eu tinha com o tempo, buscando verificar em quais situações eu sentia que ele passava mais rápido ou devagar. Não posso afirmar que em todos os casos, mas em sua grande maioria, eu não percebia nenhuma diferença. Com você isso não acontece. Com você, eu penso constantemente no tempo e parafraseando o Chico, me torno avarenta, pois conto os minutos, cada segundo que se esvai, enquanto nos beijamos um pouco mais. Era nisso que eu estava pensando, quando você me pediu para falar e eu não consegui. Eu queria dizer que não parava de olhar as horas no painel do carro. 

O tempo se tornou meu melhor amigo e meu oponente. Vivemos em um duelo constante, uma dança ritmada, na qual tento tirar proveito dele. Quero seduzi-lo. Quero que ele se encante comigo, com as minhas palavras, os meus gestos, meu jeito único de tratá-lo bem. Penso que se conseguir, as nossas despedidas serão menores, porque todo o tempo do mundo estará comigo, sob os meus cuidados. E eu entregaria a você, com a única condição de não deixá-lo escapar. Teríamos todo o tempo do mundo. 

Não contaria mais os segundos...

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