domingo, 23 de julho de 2017

Eu esqueci a flor

Eu esqueci a flor, que fora gentilmente colocada no cantinho da pia. No meio de tantas roupas, na ansiedade de sair no horário combinado, eu a esqueci. Não é necessário dizer que já me repreendi demais por isso - praticamente o caminho inteiro de volta para casa foi uma tentativa de entender como eu pude ter esquecido a flor, a flor que você dera para mim. Então, após uma angustiante retomada de passos sem chegar a lugar nenhum, mudei o rumo de meus pensamentos - e comecei a pensar nas coisas que eu não esquecera: quando eu seguro a sua mão no carro e o fato de você gostar desse gesto muito mais do que eu poderia conceber; das noites em que passamos conversando sobre tudo, não porque precisávamos preencher o silêncio, mas porque sempre tínhamos algo a dizer para o outro; não me esqueci da sensação que tive quando deitei em seu peito, que merece um texto, muito mais do que essas poucas linhas; ou quando cantávamos juntos, selecionando as músicas que fariam parte do nosso show particular; dos beijos na testa, no nariz, e das fotografias tiradas por seus olhos, no azul infinito do céu e do mar. Você me transborda e eu sei que vou me perder. Seus olhos têm a força de uma ressaca e finalmente, pude compreender Bentinho. Percebe? Eu me esqueci da flor e só. Ainda bem que você a cuidou. E eu volto para buscá-la. Volto para você. 

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