segunda-feira, 19 de junho de 2017

No sentido de existir

Há pessoas que nos roubam - no sentindo metafórico e cruel da palavra. Roubam a nossa confiança, nossos sonhos, rompem com as nossas expectativas. Neste mesmo universo, há pessoas que nos devolvem. Trazem consigo os encantos bons da vida, que de tão distantes de nossa realidade atual, deixa-nos surpresos, aturdidos. Há pessoas que no silêncio, dizem tudo. Há outras, articuladas, que não só nos mostram as teses, como os argumentos prolixos, as possíveis soluções para as causas até então consideradas perdidas. Há pessoas que nos ajeitam. Há outras, que nos reviram do avesso, deixando no ar aquela boa e velha questão: será que esse é o meu lado certo? Há pessoas que com uma facilidade tremenda nos fazem chorar. Há outras, que com a mesma facilidade, transformam essas lágrimas em sorrisos discretos. Há pessoas que falam, porque falar é preciso. Há outras, que ouvem, porque ouvir se tornou tão raro nos dias de hoje. Há pessoas que riem dos nossos medos, tornando-os mais gigantes dentro de nós. Há outras, que humildemente reconhecem que também têm os seus temores. E nessa dualidade, vamos conhecendo um pouco mais o outro e nós. Desatamos em dúvidas, incertezas, questionamentos. Vivenciamos o lado de cá e o de lá. Fazemos essas distinções. Tentamos, desesperadamente, encaixar todos que conhecemos em um desses dois grupos. Assim, textos são escritos, memórias são esquecidas, para no fim, chegarmos à conclusão de que tudo isso é uma coisa só; tudo se resume à apenas uma única dicotomia e é a partir dela que todas as outras são construídas. Levei tanto tempo para entender, mas a verdade é uma só: há pessoas com quem aprendemos o que não é o amor. Há outras, no entanto, que nos ensinam a amar. 

2 comentários:

  1. Muito legal seu texto! Esse tipo de reflexão sempre pode mudar algo em todos que leem. E concordo com você sobre a importância gigantesca do amor, e realmente precisamos procurar pessoas que nos apoiem e possam mostrar quem somos ou pelo menos quem fomos até o momento, pessoas que possam nos dar a segurança de sermos nós mesmos. Além de ser sempre bom ter autoconfiança e uma certa imunidade aos danos que um mal alheio pode trazer. Mais uma vez, belo texto!

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  2. O importante é aprendermos a lição em todas essas situações e nos fortalecermos com a experiência. Lindo texto, num lindo dia... Beijos.

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