sexta-feira, 19 de maio de 2017

Sou flor

Se eu tivesse conhecido este amor-próprio que me encheu de flores, eu não teria implorado pelo seu ficar. Eu não teria dito, sei lá quantas vezes, que você foi a única coisa boa que me aconteceu na vida. Eu não teria gastado meu dinheiro do estágio para te procurar. Eu não teria desperdiçado minha voz, buscando nas suas feições qualquer sinal de amor. Aliás, se eu soubesse que amar era verbo intransitivo, como o livro de Mário de Andrade tentou me alertar, eu não teria feito súplicas pelo seu complemento. Eu me achava metade, mediana, parte de um todo. Até que descobri que meu corpo era o meu próprio lar. Me fiz inteira e desde então, guardo amor. As vezes, este apreço todo transborda. 

Floresço. 

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