domingo, 16 de abril de 2017

É pouco, é quase nada

Há tantas coisas sobre as quais quero escrever... Contudo, sinto-me incapaz de traduzir alguns nós que persistem em acompanhar-me todos os dias.

Quero escrever sobre o falecimento do meu tio, um tio que eu nunca conheci e que hoje a vida arrancou-me de vez a possibilidade de encontrá-lo. Quero falar sobre o meu pai, que recebeu a notícia e não nos contou.

Há muito tempo, esse tio fora expulso de casa. Eu nunca entendi essa estória, mas sabia que esse era um dos assuntos que eu jamais poderia comentar com o meu velho. Não comentei. Recebi essa notícia como quem fica sabendo de um desastre natural que aconteceu no Sul do país: fiquei comovida, mas durou pouco tempo. Nada mudou em minha rotina. Continuei tomando o meu café.

Quero escrever sobre o esgotamento que sinto; obscuridade que carrego em minha alma tão jovem. Esse cansaço não tem nome, não tem forma, nem expressão. Ainda assim, pesa-me nos ombros e eu já não sei o que fazer para amenizar a dor que sinto.

Quero escrever sobre a ausência.

Quero escrever sobre as longas caminhadas que faço e sobre os devaneios que me acompanham ao som de Blink 182.

Uma saudade vive em mim - quero escrever sobre ela também. Mas o palavreado não sai.

Apesar de toda a minha aspiração, humildemente apresentadas aqui, não há texto. Não há verbos conjugados com as minhas estórias, nem flexionados pelo meu querer. Há vontade e isso não é tudo. Pelo contrário - é pouco, é quase nada.

Não obstante, continuo buscando, porque escrever é uma luta. A gente apanha mais do que acerta golpes, cai mais do que levanta. No entanto, tenho vontade de continuar. Arriscar alguns versos é o que me acalma, mas paradoxalmente, é o que me tira o sossego.

Em minha vida, persisto. Mas aqui... Aqui já não há mais nada a ser dito. Quem sabe... Quem sabe num outro texto eu descubra o nome de todas as coisas.

E isso seria tudo.

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