quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Ausência

Dia desses abri a página do meu antigo blog para ler os meus textos antigos. De início, me senti estranha, porque me ler implica juntar o ontem com o hoje, o passado que por tanto tempo fiz questão de deixar lá, intacto e inofensivo. Você deve estar se perguntando o porquê de ter feito isso. Na verdade, não há grandes mistérios, quis procurar na Ana Carolina de alguns anos atrás a poesia que me falta hoje. Quis entender, na pouca maturidade que meus vinte e dois anos me proporcionam, a atual ausência do verbo em mim. Já faz algum tempo que não escrevo, já faz algum tempo que me sinto abandonada pelas palavras, que desde sempre foram as minhas melhores amigas. Talvez elas tenham se cansado de mim. Eu costumava usá-las moderadamente e nas reticências eu enxergava o pedido de intensidade delas, que eu ignorei por tanto tempo. Hoje, nem hipérbole, nem eufemismo. Elas me tiraram os temas também. Escrever sobre o amor que sentia era dos exercícios, o meu favorito. Eu amava e quando colocava o último ponto final, sentia o mesmo êxtase que sinto hoje na academia. Isso também foi embora. Dia desses um amigo me pediu para escrever sobre ele. A primeira linha não saiu. Pensei que fosse o dia, o mal tempo, mas não. E nesse desespero interno tento manter a lucidez externa. Talvez me falte leitura, talvez me falte paixões. Mas é que eu não sabia que, abrindo mão de futuros amores, eu também abriria mão dos meus excertos. Afinal, escrever implica paixão. As palavras me abandonaram quando me declarei inabitável. Decretei a sentença final e elas, extremamente ofendidas se retiraram. Pegaram as suas malas e foram morar bem longe de mim. Assim como não deixei recados, elas não se despediram. Fomos para direções diferentes. Elas, sem teto e eu, sem afeto. 

As vezes me pergunto quando a vida proporcionará nosso encontro de novo... 

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