terça-feira, 28 de junho de 2016

Quando você aprender a deixar

Imagine que você está sentada na areia, olhando o mar. São 6 e pouco da manhã e o Sol está nascendo. Uma brisa suave balança os seus cabelos, você chega a jurar que ouviu a voz de Deus sussurrando algo em seu ouvido. Fecha os olhos e a boca esboça um sorriso discreto, imperceptível para quem te observa de longe. Por dentro, você está leve e sente que um vento mais forte poderia te mover dali. Seus pés brincam com a areia macia. Não há pensamentos demais em sua mente. Tudo o que vê é o mar e o Sol nascendo de novo. 

Ninguém diria que você quase pensou em desistir da vida. Há alguns dias atrás, o cenário era outro. Um quarto escuro, frio, almofadas úmidas por causa das lágrimas, lenços de papel amassados jogados no chão, um copo de água pela metade, meio vazio, um corpo pesado demais para se levantar sozinho. 

A gente não percebe quando se desloca de um cenário para o outro. É uma linha tênue que os divide e então, quando acontece, geralmente estamos ocupados demais com outras coisas para perceber onde nos metemos. 

Eu me vi enfrentando esse pesadelo e não achei que fosse sair dele tão rápido - e realmente, não foi. Levei alguns meses para me desprender do medo de estar sozinha. Fiz algumas loucurinhas, briguei com Deus, até que finalmente deixei.

Deixou o quê, minha filha? Esse verbo exige objeto direto. 

Bem, não nesse caso.

Eu simplesmente aprendi a deixar. Não saberia explicar como para vocês, porque nem eu pude perceber a mudança. Aconteceu. 

E agora, estou me sentindo como se fosse eu a pessoa que está na praia, olhando o mar e admirando o nascer-do-sol. Estou me sentindo leve e a claridade deixou o meu quarto tão bonito... 

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